sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bill Gates deixa trabalho integral na Microsoft para se dedicar à filantropia

Após mais de três décadas à frente da Microsoft, Bill Gates deixa nesta sexta-feira (27) o dia-a-dia daquela que a maior companhia de software do mundo e passará a se dedicar em tempo integral à organização Bill & Melinda Gates Foundation.

Gates, 52, cuja aparência juvenil contrasta estranhamente com os cabelos já grisalhos, deixará para trás toda uma vida dedicada ao desenvolvimento de software e concentrará suas energias em promover a descoberta de novas vacinas ou o financiamento de projetos nos países em desenvolvimento.

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Bill Gates ainda detém participação de 8,7% na Microsoft, fatia avaliada em US$ 23 bilhões
Bill Gates, 52, ainda detém participação de 8,7% na Microsoft, fatia avaliada em US$ 23 bilhões; vai se dedicar à filantropia

A Microsoft continuará sob o comando do executivo-chefe, Steve Ballmer, do chefe de estratégia e pesquisa, Craig Mundie, e do chefe para arquitetura de softwares, Ray Ozzie. Em junho de 2006, Ozzie já havia assumido o posto de Gates como responsável pela arquitetura de software da Microsoft.

Como é o maior acionista da Microsoft, Gates continuará a ser o presidente do conselho da empresa e a trabalhar em alguns projetos especiais de tecnologia. A participação de 8,7% que ele detém na companhia vale cerca de US$ 23 bilhões.

Mas, na segunda-feira (30), enquanto Gates estará preocupado com epidemiologia e obras de caridade, a Microsoft ainda estará envolto em problemas que Gates também não conseguiu resolver: bater o Google no segmento de internet e defender seu império no mundo "offline".

Quando a Microsoft anunciou em 2006 que Gates planejava se dedicar menos à Microsoft, ele nomeou dois executivos para guiar a direção técnica da empresa. Entretanto, ações recentes da Microsoft indicam que um grupo maior de pessoas vai planejar essa área.

Em entrevista à BBC, Bill Gates afirmou que o sucesso da Microsoft não se deve apenas ao que a empresa fez, mas também ao que os competidores deixaram de fazer. "A maioria dos nossos concorrentes era muito mal administrada", disse Gates. "Eles não entenderam como unir pessoas com experiências em negócios e em engenharia. Eles também não sabiam como se deslocar pelo mundo."

As táticas utilizadas pela Microsoft para garantir o domínio da marca em sua área de atuação foram foco de intensos debates. De um lado, os competidores da Microsoft, junto com alguns tribunais e agências reguladoras, argumentam que a companhia se aproveitou de sua posição para dominar o mercado por meio de práticas ilegais.

De outro, Gates e seus colegas insistem que seu único propósito era criar um "grande software" e que os clientes não o comprariam se não gostassem do produto.

Poder de barganha

Na avaliação de um dos ex-funcionários da Microsoft, um dos grandes trunfos de Gates era a habilidade de entender ao mesmo tempo de negócios e da engenharia necessária para criar os softwares. De certa forma, a Microsoft teve nas mãos o poder de decidir a sorte de outras empresas de software.

E ainda há um último elemento indiscutível que se soma ao sucesso da fórmula Microsoft: o uso de grandes quantias de dinheiro para se proteger dos caprichos do mercado ou da eventual falência de um produto específico.

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