quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mausoléu virtual abriga na internet o perfil de pessoas mortas

Uma espécie de mausoléu virtual, criado há cerca de três meses na internet, já abriga 240 mil mortos cadastrados. O site permite que perfis de pessoas que se foram ganhem fotos, vídeos, homenagens e recados dos parentes que ficam.

É o primeiro cadastro nacional de mortos do país, segundo o idealizador, o engenheiro civil Maurício Costa, 57, que mora hoje em Blumenau (SC).Desde que entrou no ar, já registrou a inclusão de pessoas de cerca de 300 municípios, especialmente da região Sul do país.

Segundo Costa, em até dois anos o portal Espaço Viver (www.espacoviver.com.br) já terá registrado todas as prefeituras do país, o que permitirá um levantamento global de todos os óbitos nacionais. "Quando a gente cadastrar todas, a inserção de dados das cidades vai ser automática."

O objetivo, a longo prazo, é se associar aos cartórios para que todas as novas certidões de óbito entrem automaticamente no site, agilizando a atualização.

O portal busca os registros em cartórios e cemitérios municipais e só divulga o nome do morto, de seus pais e de sua cidade do óbito. Há um sistema de busca para encontrar os finados. Pessoas inscritas no site também podem cadastrar os parentes e amigos --o óbito é checado pela equipe do portal, que conta com 20 pessoas, antes de entrar no ar.

Orkut dos mortos

A secretária Jean Thomsen, 43, de Blumenau (SC), cadastrou cerca de dez parentes e amigos. Ela diz que pretende fazer um memorial para os avós. Para isso, terá que pagar por um pacote, que vai de R$ 17 a R$ 490 (em uma taxa única).

Se comprar, será o primeiro que Costa terá vendido. Ele não lucrou nada até agora com o site, já que a inclusão do nome é gratuita, assim como outros serviços, como deixar mensagens de afeto e montar a árvore genealógica da família.

Entre os planos pagos, o mais barato permite a inclusão de uma homenagem de 1.500 caracteres e uma foto. O mais caro comporta 60 fotos, uma biografia e vídeos.

Para Thomsen, a comparação é inevitável: "É o Orkut dos mortos, né. Pode colocar mensagens, fotos, deixar recados".

Ao pensar no site, há quase dois anos, Costa diz que não conhecia o Orkut, mas logo se deparou com o Footnote --versão norte-americana que já tem mais de 80 milhões de mortos cadastrados.

Ele diz que, apesar das semelhanças, seu site se difere do Orkut por prestar um serviço: "A gente preserva a história de um local e de pessoas".

Uma das idéias do portal é que comunidades --igrejas, clubes, associações-- cadastrem um memorial coletivo para contar sua história e ilustrá-la com documentos e fotos, a exemplo do que ocorre no Footnote (www.footnote.com).

Costa diz que imaginou uma pessoa deixando o Nordeste em busca de oportunidades no Sul e perdendo contato com seus parentes. Um dos primeiros cadastrados no memorial foi seu pai, José Gonçalves da Silva, que seguiu esse enredo, deixando Patos (PB) para morar em São Paulo.

Segundo ele, os brasileiros evitam falar de morte, mas o site pode ser um consolo para aquelas "80% das pessoas do país que acreditam em vida após a morte".

A secretária administrativa Elenita Gutz, 37, diz que foi o que sentiu ao cadastrar sua mãe, Alwine, vítima de câncer há quatro anos. "Mata um pouco a saudade navegar ali. Não fica só aquele túmulo com o nome. Parece que é uma coisa mais viva." Ela também já encontrou parentes de sua cidade natal, Pomerode (SC).

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Windows 7 vem para simplificar, diz MS

A Microsoft aposta que a nova versão do seu sistema operacional será mais rápida e fácil de usar do que o Windows Vista.

O Windows 7, apresentado nesta terça-feira (28/10), chegará ao mercado em uma versão de teste no próximo ano, com ferramentas que incluem tecnologia de touch screen e funções que ajudam o usuário a personalizar o computador.

O Vista foi vastamente criticado por causa da sua pouca compatibilidade com dispositivos e da sua demorada inicialização, entre outros problemas.

Além disso, a utilidade de um sistema operacional Windows para desktops – o produto mais lucrativo da maior fabricante de software do planeta – vem sendo colocada à prova com o aumento dos programas baseados na internet.

A decisão da Microsoft foi medir seu desempenho com base na positiva experiência do usuário versus a superioridade técnica – que normalmente não faz muita diferença para o consumidor comum

Kernel do Linux ultrapassa 10 milhões de linhas

Uma análise apontou que após o lançamento da versão 2.6.27 do kernel do sistema operacional livre Linux, o código fonte ultrapassa a marca de 10 milhões de linhas.

Segundo o site heise, a adaptação do núcleo envolve descartar código antigo e adicionar novos recursos - ou seja, mais código. Como a quantidade de coisas adicionada é maior do que a removida, o crescimento é contínuo.

A contagem, entretanto, inclui linhas em branco e comentários, mas se descartadas as linhas vazias, são mais de nove milhões, noticiou o site The Inquirer, defendendo a contagem com as linhas em branco já que estas são ideais para a compreensão do código.

O software SLOCCount, que contabiliza as linhas de código existentes em um programa, aponta que o do kernel do Linux possui 6.399.191 linhas, descontando os espaçamentos e comentários necessários para o entendimento do código, sendo destas 51,6% dedicadas aos drivers e 19,7% à arquitetura do sistema.

As outras linhas se referem ao sistema de arquivos (8,5%), rede (5,9%), som (5,6%), referências a bibliotecas de funções (5,0%), controle central de processos (1,2%), gerenciamento de memória (0,6%), criptografia (0,5%), segurança (0,4%) e outros (1,1%).

A análise ainda aponta que a maior parte do código do núcleo do Linux foi desenvolvido em ANSI C (96,39%), com uma parte menor (3,32%) tendo sido escrita em Assembly, e um número bastante reduzido em linguagens como Perl, C++, Yacc, Unix Shell, Lex, Python, LISP, Pascal e Awk.

O SLOCCount também avalia o esforço que seria necessário para desenvolver novamente o kernel do Linux a partir do zero. Seriam necessários 200 desenvolvedores por nove anos e meio e um custo médio de aproximadamente US$ 268 milhões em salários.

Esse custo é apenas do núcleo do sistema operacional. Uma distribuição completa, contendo não só o núcleo como também as interfaces com o usuário e programas como jogos e aplicativos de escritório custaria quase US$ 11 bilhões, segundo um estudo publicado pela organização Linux Foundation, que administra o uso da marca e o desenvolvimento do sistema operacional. O estudo pode ser lido aqui.

Por ter seu código aberto, o Linux recebeu contribuição voluntária e na maioria das vezes gratuita de milhares de programadores independentes por um período superior a 15 anos.